sábado, 15 de outubro de 2011

AO MESTRE COM CARINHO

PROF. MARCELO E SEUS ALUNOS DA ESCOLA ESTADUAL
 PROFª ANA MARIA BENTO NO PQ. RESIDENCIAL COCAIA EM SÃO PAULO
Em 15 de outubro comemora-se o Dia do Professor, esse incansável mestre que trabalha para levar o que de mais importante uma pessoa pode receber na vida: educação. A esse exército de homens e mulheres que encaram sua profissão como uma missão, a missão de formar cidadãos, presto minha respeitosa homenagem. O professor é um agente de mudanças, de transformação de vidas, um condutor do saber que, muito mais do que ensinar a ler, a escrever e a fazer contas, ensina a ser gente. Esse dia dedicado ao professor é muito pouco pelo muito que ele representa. Infelizmente é um dia lembrado apenas no ambiente escolar, mas que deveria ser lembrado por todos em todos os lugares. Meu respeito e admiração pelo professor começou ainda na tenra idade através de minha mãe, que foi professora do ensino primário durante 27 anos, todos em escola pública no interior do estado do Paraná. Foi ela quem me ensinou a importância do aprender antes mesmo de eu entrar para a escola. Lembro-me dela trazendo pilhas e pilhas de cadernos para corrigir em casa e frequentemente a via debruçada sobre seu diário de planejamento de aulas até altas horas da noite. Era muita dedicação e carinho por seus alunos. No tempo em que ela lecionava o professor era uma pessoa respeitada. Alunos, pais e autoridades em geral davam ao professor seu merecido lugar de destaque na sociedade. Esses anos ficaram para trás e hoje o professor, principalmente da rede pública de ensino, é maltratado em todos os sentidos. Muitos tem sido ameaçados, intimidados e agredidos verbal e fisicamente por alunos e o poder público não lhes dá o devido valor. Mas eles resistem, e só resistem porque amam o que fazem. O professor nunca recebeu remuneração compatível com a importância do seu trabalho, por isso só leciona quem tem vocação e amor pelo ensinar. Esta semana porém, fiquei muito feliz em ver que apesar de tudo o que o professor passa ainda existe um certo respeito e admiração que eu achava não existir mais. Meu amigo Marcelo(foto), professor em escola pública, recebeu uma cartinha de sua aluna Dayana, onde ela demonstra toda sua gratidão pelo que ele faz em sua vida e de seus colegas. Atitudes como a de Dayana nos dá a esperança de que o professor ainda voltará a ocupar o lugar de respeito na sociedade, lugar que jamais deveria ter sido tirado. Afinal, é graças ao professor que consigo escrever e é graças a ele também que você consegue ler o que está escrito, portanto, cumprimente pelo menos um professor nesse dia 15 de outubro e diga-lhe o quanto ele é importante na vida de todos nós. 
À minha mãe, ao Marcelo e a todos os professores desejo sinceramente um Feliz Dia do Professor!

Esta é a cartinha da aluna Dayana ao professor Marcelo:

Abaixo você pode assistir vários vídeos com a música tema do inspirador filme "Ao Mestre Com Carinho", de 1967, filme este que deveria ser assistido por todos, principalmente por quem está ligado diretamente a uma escola, professores, alunos, pais...

terça-feira, 4 de outubro de 2011

FELICIDADE E INFELICIDADE


Para mim, felicidade e infelicidade andam juntas, ao lado uma da outra. É como num balcão de buffet de um restaurante onde os alimentos ficam ali, lado a lado e você escolhe quais vai colocar no seu prato e comer.
Geralmente os alimentos que mais gostamos não são os mais saudáveis e os que nos fazem bem não nos enchem os olhos. Sabemos distinguir bem uns dos outros, mas na maioria das vezes fazemos escolhas erradas, pensando mais no paladar do que na saúde. Comer alimentos errados é mais fácil do que comer alimentos saudáveis. Preparar então, nem se fala. Ser feliz não é difícil, mas é muito mais fácil ser infeliz. Por isso encontramos mais pessoas infelizes do que felizes no mundo. Por quê? Simplesmente porque somos levados a procurar as coisas mais fáceis, mais bonitas, mais saborosas e não as que nos fazem bem. Depois de ingeridas vem o sentimento de culpa, mas já foi. Assim como na alimentação, muitos fazem o mesmo com toda a vida e se sentem infelizes na maior parte do tempo. Ser simples parece que é mais difícil do que ser complicado. É um paradoxo, mas é verdade. Por exemplo, é mais simples andar à pé, mas sempre vou de carro, é mais simples beber água, mas prefiro beber suco ou refrigerante, é mais simples ler um livro, mas prefiro a internet, é mais simples tomar banho frio, mas prefiro chuveiro quente, é mais simples comer uma cenoura crua, mas prefiro batata frita, entre muitas outras coisas. Quantas vezes me deparo com programas de televisão que mostram pessoas vivendo uma vida simples e feliz e digo a mim mesmo: "como é fácil ser feliz". Porém eu mesmo não consigo trazer essa simplicidade para minha vida. Tenho uma filhinha de 4 meses que tem me ensinado muito. Fico observando as coisas que ela mais gosta, e para minha surpresa, são as mais simples. Ela prefere ficar em casa vestida apenas com um "body" a colocar um vestidinho lindo e ir a uma festa. Prefere a boneca barata de pano ao elefantinho eletrônico que canta canções e conversa com ela. Prefere que eu a pegue nos braços em vez de lhe dar um presente. Fazê-la feliz é fácil, basta eu sorrir para ela e balbuciar algumas palavras carinhosas que ela abre um grande sorriso e quando beijo seu pescocinho ela dá gargalhadas de felicidade. 
Temos a tendência de complicar a vida e com isso enchemos nosso prato com infelicidade. Na busca pelo mais fácil deixamos de lado o mais simples. Felicidade e infelicidade, ambas estão aí, lado a lado ao seu alcance e a escolha é sua. O que você decide ingerir?

domingo, 25 de setembro de 2011

O PROGRAMA DO JÔ


Sabe essas coisas na vida que te deixam relaxado e te levantam o astral. Pois é, para mim o Programa do Jô funciona exatamente assim. 
Como é gostosa a sensação de leveza ao ir dormir depois de assistir ao programa. A maneira como ele apresenta as piadas, as curiosidades, os convidados e como conduz as entrevistas é extraordinária.
Me lembro do Jô comediante nos programas Faça Humor Não Faça Guerra(fazendo a célebre dupla Lelé e Da Cuca com o fabuloso Renato Corte Real), Satiricom, Planeta dos Homens, Viva o Gordo, com seus personagens hilariantes e com críticas inteligentíssimas ao sistema, mesmo na época da ditadura militar. Sem dúvida nasceu pra coisa. Mas conhecendo o Jô escritor, apresentador e entrevistador é que pude ter a dimensão de sua capacidade intelectual, sua perspicácia e sua sutileza. É de uma inteligência ímpar. Como escritor, tem uma imaginação fértil e faz com que a leitura se torne agradável e cativante. Mas é como apresentador e entrevistador que ele se supera. Conduz seu “Programa do Jô” com tal leveza que nem percebo o tempo passar, quando me dou conta já são duas da madrugada quando ele anuncia o famoso “beijo do gordo”  e a platéia, com razão, solta aquele pezaroso “ahhhhh!” e eu também. Outro dia ele entrevistou a jovem Mallu Magalhães, cantora e compositora de apenas 15 anos. A menina é muito talentosa, porém estava pouco à vontade em frente às câmeras. Mas não é que o Jô fez a menina se soltar e ela mostrou todo seu talento, apesar da nítida timidez que dava para notar através de seus gestos nervosos. Ele tem a capacidade de deixar seus convidados à vontade, graças à sua experiência como comediante. Não há quem não ria a cada inferência dele. 
O programa trata de assuntos sérios com a mesma leveza com que trata assuntos engraçados e esse é o seu diferencial, na minha opinião. Tenho um dia inteiro de trabalho sério, depois volto à casa e assisto aos noticiários sérios e nada melhor do que ao ir para a cama estar extasiado com gargalhadas espontâneas soltas à partir das piadinhas sobre os pseudo cabelos do Derico, das informações nada precisas do Bira, das trapalhadas do Alex, enfim, é uma equipe inteira pronta para fazer rir, mesmo as coisas mais elementares e corriqueiras tornam-se engraçadas nos comentários de qualquer integrante do programa. E a qualidade musical então, nem se fala. O tema de abertura é um presente aos ouvidos e as músicas apresentadas em cada edição são da mais alta qualidade, tanto pelo sexteto quanto pelos convidados. Neste momento, por exemplo, enquanto escrevo assisto ao programa e deleito-me com a conversa do Jô com o impagável Altamiro Carrilho e sua flauta encantada, dando umas palhinhas de seu repertório magnífico e soltando umas tiradas engraçadíssimas. Só o programa do Jô mesmo para apresentar uma preciosidade como essa.
Agora é hora de dormir. Mais uma vez estou me sentindo leve e vou ter um sono tranqüilo com certeza, graças ao poder restaurador do Programa do Jô. Amanhã já acordo de bom humor e não poderia ser diferente.

Publicado em Recanto das Letras em 26/05/88.