segunda-feira, 29 de abril de 2013

ÀS VEZES LEÃO, ÀS VEZES CORDEIRO: A AMBIGUIDADE DO POVO BRASILEIRO



O brasileiro tem a fama de ser um povo que passou e passa por muitas dificuldades, mas que não foge à luta. Um povo que trabalha muito para pagar as contas no fim do mês. Um povo que em sua maioria não tem uma casa decente para morar, nem uma escola decente para estudar, nem um transporte decente para se locomover, nem um salário compatível com suas despesas, mas que aceita sediar uma copa do mundo de futebol e satisfazer as exigências da FIFA quanto a construir novos e confortáveis estádios, mesmo em cidades que não tem tradição no futebol, nem grandes clubes e muito menos grandes torcidas para desfrutarem depois do evento que durará apenas um mês.  Bilhões serão gastos e milhões serão certamente desviados pela corrupção que assola nosso país, mesmo assim o brasileiro é um povo alegre, pacífico, ordeiro. 
O brasileiro não gosta de guerras. Rivalidade com outros países só no futebol, que aliás parece ser um dos únicos interesses reais deste povo além da luta diária pela sobrevivência. O brasileiro não tem inimigos externos, o maior inimigo do brasileiro é o próprio brasileiro. O brasileiro é um lutador por natureza, mas um lutador solitário, que luta individualmente pela sua sobrevivência, que não se alia, que não sabe se unir em prol de causas coletivas que lhe trariam também benefícios individuais, que não se organiza e por isso não tem força para vencer seu inimigo interno mais feroz, o corrupto.
O brasileiro, a exemplo do cordeiro, morre em silêncio. E vive em silêncio também. Cala-se diante de todos os desmandos de seus representantes oficiais, os políticos. Assiste a tudo sem contestar, sem protestar, sem reivindicar. O Brasil deixou de ser colônia para ser uma república. Passou pela ditadura de Getúlio, depois por um breve período de democracia, depois a ditadura militar e novamente voltou a democracia, tudo isso em pouco menos de um século. Muitas mudanças radicais no poder em pouco tempo, porém o povo brasileiro passou por tudo isso sem grandes mudanças comportamentais. Saiu um regime, entrou outro e o brasileiro continuou vivendo sua vida pacata, trabalhando como um leão e aceitando tudo como um cordeiro e parece que isso nunca irá mudar. Apenas umas poucas vozes quase solitárias ecoam, mas não se conseguem fazer ouvir pela grande massa. Estamos vivendo um momento muito conturbado no que diz respeito a segurança pública. A crescente onda de violência no país, principalmente com a participação de adolescentes menores de 18 anos, e portanto, protegidos por uma legislação paternalista e frouxa, tem incomodado quase todos os brasileiros, tanto que uma pesquisa recente indicou que 93% da população é a favor da diminuição da maioridade penal de 18 para 16 anos. Apesar de estar cansado de ver um menor com 16 anos que comete crimes hediondos e vai para a detenção rindo da cara da polícia e da sociedade por saber que a lei lhe dá o direito de se tornar bandido sem que seja punido como deveria, e que em pouquíssimo tempo estará nas ruas novamente cometendo os mesmos crimes ou ainda piores, o brasileiro mesmo assim aceita calado e espera por uma atitude de seus governantes, que não tomam nenhuma. Entra ano, sai ano, vem uma eleição após outra e os corruptos continuam no poder legislando em causa própria e engordando suas contas bancárias em paraísos fiscais e seu patrimônio em nome de laranjas. A maioria dos brasileiros nem se lembra em quem votou na esfera do legislativo estadual e federal, quanto mais saber se seus representantes estão ou não fazendo o que deveriam ou se estão envolvidos em maracutaias e corrupção. E assim a vida segue, geração após geração com o brasileiro trabalhando como um leão e aceitando tudo como um cordeiro. 

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

SEJA FELIZ EM 2013


Um novo ano começou. A vontade é de fazer tudo novo, mas não dá. A vida tem que continuar como sempre e a continuidade das coisas se faz necessária. Mas é possível renovar atitudes, comportamentos, pensamentos, conceitos. É possível despojar-nos das coisas que nos atrapalham, que nos puxam para baixo, que impedem o nosso desenvolvimento em todas as áreas da vida. Não há como agradar a todos nem como agradar a si mesmo o tempo todo, portanto, o ideal é encontrar o equilíbrio, ser mais tolerante como os outros e menos egoísta, jamais humilhar a ninguém nem deixar-nos humilhar. Quando certos, ser firmes, quando errados, reconhecer e desculpar-nos. Uma das maiores virtudes é saber ser rígido com os nossos princípios mas flexível com o restante. Não existe receita para ser feliz. Talvez porque a felicidade seja mutável e não seja feita sempre com os mesmos ingredientes. Ainda bem, porque nós também o somos. Nosso ser está em constante mudança durante nossa vida. A felicidade também é nômade e não adianta procurá-la num determinado lugar pois ela está sempre se movimentando, por isso é que a encontramos muitas vezes durante nossa existência. Que bom, porque assim faz com que nos movimentemos também enquanto a buscamos e durante a busca encontremos pessoas, lugares, coisas e acontecimentos que nos fazem sentir vivos. O homem que deixa de buscar a felicidade, deixa de viver. Isso foi propositalmente planejado por Deus, que é a fonte da verdadeira felicidade.
Que em 2013 você seja muito feliz!

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

O PRIVILÉGIO DE SER AVÔ E A RESPONSABILIDADE DE SER NETO


Neste último fim de semana prolongado viajei para conhecer meu primeiro neto, filho do meu primogênito, que mora a 700 Km de distância. Ele já está com quase 4 meses, mas só agora consegui ir vê-lo pessoalmente. Já o conhecia por fotos e pela webcam e já o amava desde antes de nascer, mas nada se compara à maravilhosa experiência de tê-lo nos braços, sentir seu cheirinho, fazê-lo dar um sorriso, ouvi-lo balbuciando, ouvir seu chorinho, ver suas reações diante dos acontecimentos à sua volta e principalmente tocar sua pele macia e sentir o calor do seu corpinho junto ao meu, parece que ali formou-se o elo de ligação entre nós. Foi emocionante ver todo o amor, carinho e cuidado que meu filho e minha nora dispensam à ele. Ele tornou-se o centro de suas vidas. Ver meu filho assim, tão envolvido com o seu filho me deu a deliciosa sensação de que, de certa forma, a minha vida está se renovando através deles. Ser pai foi a maior bênção que recebi de Deus para minha passagem por esta curta vida aqui e ao ser avô sinto que esta bênção está sendo prolongada. Ver o filho do meu filho foi indescritível e saber que em breve ouvirei de seus lábios o doce chamado de "vovô" será ainda mais incrível. Eu nunca tinha pensado nisso, até agora. Eu sabia que meus filhos um dia teriam os seus filhos e que estes seriam meus netos, uma consequência natural da vida, mas ao ver isso se materializar, se tornar real e palpável, com toda a carga emocional que isso envolve foi maravilhoso. Minha mente viaja e imagino muitas cenas de nós dois juntos num futuro próximo, ele me chamando de vovô e eu o abraçando e lhe dando lições de vida. Apesar da distância física que existe entre nós, farei de tudo para ser um vovô presente pois descobri que os avós são muito importantes em nossa vida. Na hora da despedida fiquei com uma sensação de tristeza por saber que ao voltar a vê-lo ele já estará diferente, mas meu conforto é que ele será sempre meu neto. Saber que ele está cercado de amor e carinho pelos avós maternos também me tranquiliza.
Ao sair para a viajem de volta passei pelo cemitério onde estão sepultados os meus avós, pais de minha mãe, com quem convivi muito pouco, pois morávamos igualmente longe. Eu já havia visitado os túmulos deles antes, mas dessa vez foi diferente. Parado ali, sozinho em frente aos túmulos, vendo suas fotos, emocionei-me e cheguei às lágrimas sem saber ao certo o motivo, talvez tenha sido a sensação de que eu poderia ter dado mais amor e atenção à eles. Quando criança, lembro-me que todos os anos, nas férias, íamos para o sítio deles e passávamos dias maravilhosos lá, comendo as delícias que minha avó preparava, principalmente no café da manhã, que era um verdadeiro banquete. Minha avó era uma mulher forte, que além de trabalhar na roça dava conta da casa e nunca a vi reclamar de nossa presença lá, apesar da bagunça que fazíamos. Meu avô era muito calmo e carinhoso. Lembro-me que ele tinha um chapéu que eu adorava e em todas as férias, quando lá chegava, uma das primeiras coisas que eu fazia era pegar o chapéu dele emprestado e ele se divertia com aquilo. Depois que cresci não os visitei muito e quando me mudei para perto deles meu avô já era falecido e minha avó faleceu dias depois. Aquilo me entristeceu muito. Ao menos tive a felicidade de morar mais perto dos meus avós paternos. Minha avó era uma mulher forte também, tanto que aos 90 e poucos anos ainda viajava longas distâncias de ônibus para visitar filhos e netos. Cozinhava maravilhosamente bem e ainda hoje o tempero do seu feijão tenta ser imitado, inclusive por mim, mas nunca igualado. Meu avô era bravo, de pouca conversa, mas lembro-me que quando eu era criança lambuzava seus sapatos com graxa e passava a escova e ele me dava um dinheirinho e eu ia correndo comprar sorvete. Às vezes ele levava os netos para seu sítio também.
Hoje estou tendo uma visão diferente da figura dos avós e sempre digo para meus filhos telefonarem para eles e dar-lhes atenção, mesmo morando longe. Erramos muito em não incluirmos os avós com parte de nossa vida porque eles se sentem parte dela, e na verdade o são. Muitas vezes erramos também como pais por não incluirmos os avós como parte da vida de nossos filhos. Não sei quantos netos terei, mas sei que já sou avô e quero muito fazer parte da vida do netinho que já tenho e dos que ainda poderão vir. Sou um avô diferente porque também estou tendo a felicidade de ser pai de uma bebezinha de 1 ano e 5 meses(www.princesamariaclara2011.blogspot.com) e essa convivência com ela tem me tornado muito mais sensível. Ser avô é um privilégio e ser neto tem uma grande responsabilidade, a responsabilidade de retribuir o amor que recebemos gratuitamente.