quinta-feira, 17 de novembro de 2011

A RETOMADA DAS FAVELAS



Domingo, 13 de novembro de 2011. As forças de segurança em apenas algumas horas retomaram as favelas da Rocinha, Vidigal e Chácara do Céu na cidade do Rio de Janeiro que estavam sob o domínio de traficantes desde a década de 1970. As forças foram formadas por mais de 3000 homens do Batalhão de Choque e do Batalhão de Operações Especiais(Bope) da Polícia Militar e da Marinha. Foram utilizados armamentos pesados, helicópteros e até carros blindados, formando uma verdadeira operação de guerra. Ao meio dia a bandeira nacional foi hasteada como símbolo da retomada de um território até então sem lei, sem a presença do estado.  
O episódio foi comemorado pelos governantes como se fora a conquista do território de uma nação inimiga em uma guerra. Acontece porém que trata-se de um território pequeno se comparado a uma nação qualquer, com cerca de 70.000 habitantes; pessoas honestas e trabalhadoras, mas esquecidas dentro de seu próprio país. A polícia informou que a quadrilha de traficantes que dominava o local era formada por cerca de 200 homens fortemente armados. 
Indignado pergunto: se dava para fazer assim, por que não foi feito antes? Um pequeno exército de 200 homens dominou um território por mais de 40 anos, expondo pessoas de bem, famílias inteiras, crianças, jovens e adultos a perigos constantes e mortes violentas, aliciou menores e arrebanhou-os para seu lado por pura covardia, descaso e interesses escusos daqueles que deveriam dar proteção e condições de vida digna a esses moradores. Agora aqueles mesmos comemoram como se tivessem tido uma grande vitória! Estou estupefato diante de tudo isso. E as mortes? E as crianças perdidas para o tráfico? E as vidas sem perspectivas que se perderam durante todos esses anos? Quem vai se responsabilizar por elas? Quanto prejuízo foi causado nesse território e em tantos outros que ainda estão sob o domínio do mal por pura negligência ou conivência do estado? Poucas horas de um dia foram suficientes para desarticular o comando do tráfico em 3 favelas na cidade do Rio de Janeiro, apenas poucas horas! Quanto dinheiro foi necessário para realizar essa operação? Não faço ideia, mas acredito que muito menos do que o estado gastou nesses 40 anos com atendimento a vitimas da violência, com programas de reabilitação de dependentes de drogas, com tentativas de retomada(que houveram várias) frustradas e mal planejadas(acredito que de propósito), com projetos malsucedidos, enfim. Com certeza milhões foram gastos e mais milhões ainda foram desviados pela corrupção que se hospeda no poder público brasileiro. Agora, às vésperas de sediar a Copa do Mundo de futebol e posteriormente os Jogos Olímpicos deflagram-se operações como essa simplesmente para dar satisfação à opinião pública internacional. Ninguém está realmente preocupado com as pessoas, os seres humanos, os cidadãos brasileiros que vivem nas favelas em condições insalubres quer pela ausência do estado quer pela presença e domínio do banditismo. 
Até quando? Pergunto indignado novamente: se dava para fazer assim, por que não foi feito antes?


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sábado, 15 de outubro de 2011

AO MESTRE COM CARINHO

PROF. MARCELO E SEUS ALUNOS DA ESCOLA ESTADUAL
 PROFª ANA MARIA BENTO NO PQ. RESIDENCIAL COCAIA EM SÃO PAULO
Em 15 de outubro comemora-se o Dia do Professor, esse incansável mestre que trabalha para levar o que de mais importante uma pessoa pode receber na vida: educação. A esse exército de homens e mulheres que encaram sua profissão como uma missão, a missão de formar cidadãos, presto minha respeitosa homenagem. O professor é um agente de mudanças, de transformação de vidas, um condutor do saber que, muito mais do que ensinar a ler, a escrever e a fazer contas, ensina a ser gente. Esse dia dedicado ao professor é muito pouco pelo muito que ele representa. Infelizmente é um dia lembrado apenas no ambiente escolar, mas que deveria ser lembrado por todos em todos os lugares. Meu respeito e admiração pelo professor começou ainda na tenra idade através de minha mãe, que foi professora do ensino primário durante 27 anos, todos em escola pública no interior do estado do Paraná. Foi ela quem me ensinou a importância do aprender antes mesmo de eu entrar para a escola. Lembro-me dela trazendo pilhas e pilhas de cadernos para corrigir em casa e frequentemente a via debruçada sobre seu diário de planejamento de aulas até altas horas da noite. Era muita dedicação e carinho por seus alunos. No tempo em que ela lecionava o professor era uma pessoa respeitada. Alunos, pais e autoridades em geral davam ao professor seu merecido lugar de destaque na sociedade. Esses anos ficaram para trás e hoje o professor, principalmente da rede pública de ensino, é maltratado em todos os sentidos. Muitos tem sido ameaçados, intimidados e agredidos verbal e fisicamente por alunos e o poder público não lhes dá o devido valor. Mas eles resistem, e só resistem porque amam o que fazem. O professor nunca recebeu remuneração compatível com a importância do seu trabalho, por isso só leciona quem tem vocação e amor pelo ensinar. Esta semana porém, fiquei muito feliz em ver que apesar de tudo o que o professor passa ainda existe um certo respeito e admiração que eu achava não existir mais. Meu amigo Marcelo(foto), professor em escola pública, recebeu uma cartinha de sua aluna Dayana, onde ela demonstra toda sua gratidão pelo que ele faz em sua vida e de seus colegas. Atitudes como a de Dayana nos dá a esperança de que o professor ainda voltará a ocupar o lugar de respeito na sociedade, lugar que jamais deveria ter sido tirado. Afinal, é graças ao professor que consigo escrever e é graças a ele também que você consegue ler o que está escrito, portanto, cumprimente pelo menos um professor nesse dia 15 de outubro e diga-lhe o quanto ele é importante na vida de todos nós. 
À minha mãe, ao Marcelo e a todos os professores desejo sinceramente um Feliz Dia do Professor!

Esta é a cartinha da aluna Dayana ao professor Marcelo:

Abaixo você pode assistir vários vídeos com a música tema do inspirador filme "Ao Mestre Com Carinho", de 1967, filme este que deveria ser assistido por todos, principalmente por quem está ligado diretamente a uma escola, professores, alunos, pais...

terça-feira, 4 de outubro de 2011

FELICIDADE E INFELICIDADE


Para mim, felicidade e infelicidade andam juntas, ao lado uma da outra. É como num balcão de buffet de um restaurante onde os alimentos ficam ali, lado a lado e você escolhe quais vai colocar no seu prato e comer.
Geralmente os alimentos que mais gostamos não são os mais saudáveis e os que nos fazem bem não nos enchem os olhos. Sabemos distinguir bem uns dos outros, mas na maioria das vezes fazemos escolhas erradas, pensando mais no paladar do que na saúde. Comer alimentos errados é mais fácil do que comer alimentos saudáveis. Preparar então, nem se fala. Ser feliz não é difícil, mas é muito mais fácil ser infeliz. Por isso encontramos mais pessoas infelizes do que felizes no mundo. Por quê? Simplesmente porque somos levados a procurar as coisas mais fáceis, mais bonitas, mais saborosas e não as que nos fazem bem. Depois de ingeridas vem o sentimento de culpa, mas já foi. Assim como na alimentação, muitos fazem o mesmo com toda a vida e se sentem infelizes na maior parte do tempo. Ser simples parece que é mais difícil do que ser complicado. É um paradoxo, mas é verdade. Por exemplo, é mais simples andar à pé, mas sempre vou de carro, é mais simples beber água, mas prefiro beber suco ou refrigerante, é mais simples ler um livro, mas prefiro a internet, é mais simples tomar banho frio, mas prefiro chuveiro quente, é mais simples comer uma cenoura crua, mas prefiro batata frita, entre muitas outras coisas. Quantas vezes me deparo com programas de televisão que mostram pessoas vivendo uma vida simples e feliz e digo a mim mesmo: "como é fácil ser feliz". Porém eu mesmo não consigo trazer essa simplicidade para minha vida. Tenho uma filhinha de 4 meses que tem me ensinado muito. Fico observando as coisas que ela mais gosta, e para minha surpresa, são as mais simples. Ela prefere ficar em casa vestida apenas com um "body" a colocar um vestidinho lindo e ir a uma festa. Prefere a boneca barata de pano ao elefantinho eletrônico que canta canções e conversa com ela. Prefere que eu a pegue nos braços em vez de lhe dar um presente. Fazê-la feliz é fácil, basta eu sorrir para ela e balbuciar algumas palavras carinhosas que ela abre um grande sorriso e quando beijo seu pescocinho ela dá gargalhadas de felicidade. 
Temos a tendência de complicar a vida e com isso enchemos nosso prato com infelicidade. Na busca pelo mais fácil deixamos de lado o mais simples. Felicidade e infelicidade, ambas estão aí, lado a lado ao seu alcance e a escolha é sua. O que você decide ingerir?