quarta-feira, 7 de novembro de 2012

O PRIVILÉGIO DE SER AVÔ E A RESPONSABILIDADE DE SER NETO


Neste último fim de semana prolongado viajei para conhecer meu primeiro neto, filho do meu primogênito, que mora a 700 Km de distância. Ele já está com quase 4 meses, mas só agora consegui ir vê-lo pessoalmente. Já o conhecia por fotos e pela webcam e já o amava desde antes de nascer, mas nada se compara à maravilhosa experiência de tê-lo nos braços, sentir seu cheirinho, fazê-lo dar um sorriso, ouvi-lo balbuciando, ouvir seu chorinho, ver suas reações diante dos acontecimentos à sua volta e principalmente tocar sua pele macia e sentir o calor do seu corpinho junto ao meu, parece que ali formou-se o elo de ligação entre nós. Foi emocionante ver todo o amor, carinho e cuidado que meu filho e minha nora dispensam à ele. Ele tornou-se o centro de suas vidas. Ver meu filho assim, tão envolvido com o seu filho me deu a deliciosa sensação de que, de certa forma, a minha vida está se renovando através deles. Ser pai foi a maior bênção que recebi de Deus para minha passagem por esta curta vida aqui e ao ser avô sinto que esta bênção está sendo prolongada. Ver o filho do meu filho foi indescritível e saber que em breve ouvirei de seus lábios o doce chamado de "vovô" será ainda mais incrível. Eu nunca tinha pensado nisso, até agora. Eu sabia que meus filhos um dia teriam os seus filhos e que estes seriam meus netos, uma consequência natural da vida, mas ao ver isso se materializar, se tornar real e palpável, com toda a carga emocional que isso envolve foi maravilhoso. Minha mente viaja e imagino muitas cenas de nós dois juntos num futuro próximo, ele me chamando de vovô e eu o abraçando e lhe dando lições de vida. Apesar da distância física que existe entre nós, farei de tudo para ser um vovô presente pois descobri que os avós são muito importantes em nossa vida. Na hora da despedida fiquei com uma sensação de tristeza por saber que ao voltar a vê-lo ele já estará diferente, mas meu conforto é que ele será sempre meu neto. Saber que ele está cercado de amor e carinho pelos avós maternos também me tranquiliza.
Ao sair para a viajem de volta passei pelo cemitério onde estão sepultados os meus avós, pais de minha mãe, com quem convivi muito pouco, pois morávamos igualmente longe. Eu já havia visitado os túmulos deles antes, mas dessa vez foi diferente. Parado ali, sozinho em frente aos túmulos, vendo suas fotos, emocionei-me e cheguei às lágrimas sem saber ao certo o motivo, talvez tenha sido a sensação de que eu poderia ter dado mais amor e atenção à eles. Quando criança, lembro-me que todos os anos, nas férias, íamos para o sítio deles e passávamos dias maravilhosos lá, comendo as delícias que minha avó preparava, principalmente no café da manhã, que era um verdadeiro banquete. Minha avó era uma mulher forte, que além de trabalhar na roça dava conta da casa e nunca a vi reclamar de nossa presença lá, apesar da bagunça que fazíamos. Meu avô era muito calmo e carinhoso. Lembro-me que ele tinha um chapéu que eu adorava e em todas as férias, quando lá chegava, uma das primeiras coisas que eu fazia era pegar o chapéu dele emprestado e ele se divertia com aquilo. Depois que cresci não os visitei muito e quando me mudei para perto deles meu avô já era falecido e minha avó faleceu dias depois. Aquilo me entristeceu muito. Ao menos tive a felicidade de morar mais perto dos meus avós paternos. Minha avó era uma mulher forte também, tanto que aos 90 e poucos anos ainda viajava longas distâncias de ônibus para visitar filhos e netos. Cozinhava maravilhosamente bem e ainda hoje o tempero do seu feijão tenta ser imitado, inclusive por mim, mas nunca igualado. Meu avô era bravo, de pouca conversa, mas lembro-me que quando eu era criança lambuzava seus sapatos com graxa e passava a escova e ele me dava um dinheirinho e eu ia correndo comprar sorvete. Às vezes ele levava os netos para seu sítio também.
Hoje estou tendo uma visão diferente da figura dos avós e sempre digo para meus filhos telefonarem para eles e dar-lhes atenção, mesmo morando longe. Erramos muito em não incluirmos os avós com parte de nossa vida porque eles se sentem parte dela, e na verdade o são. Muitas vezes erramos também como pais por não incluirmos os avós como parte da vida de nossos filhos. Não sei quantos netos terei, mas sei que já sou avô e quero muito fazer parte da vida do netinho que já tenho e dos que ainda poderão vir. Sou um avô diferente porque também estou tendo a felicidade de ser pai de uma bebezinha de 1 ano e 5 meses(www.princesamariaclara2011.blogspot.com) e essa convivência com ela tem me tornado muito mais sensível. Ser avô é um privilégio e ser neto tem uma grande responsabilidade, a responsabilidade de retribuir o amor que recebemos gratuitamente. 

sábado, 29 de setembro de 2012

ADEUS À HEBE, A INSUBSTITUÍVEL

O Brasil ficou mais pobre hoje. Não economicamente, porque a economia nunca esteve tão bem nesses últimos 83 anos em que aqui viveu Hebe Camargo e que morreu hoje. O Brasil e os brasileiros ficaram mais pobres em alegria. Ela morreu e com ela toda a sua energia, toda a sua vitalidade, toda a sua vivacidade, todo o seu carisma, toda a sua simpatia, toda a sua irreverência, todo o seu talento e toda a sua generosidade. Hebe é insubstituível. Jamais a televisão brasileira terá outra apresentadora que se fundirá com a história da própria televisão como ela. Hebe não faz parte da história, ela era a própria história. Eu não preciso recorrer a pesquisas para falar de Hebe Camargo porque desde que me conheço por gente sempre adorei ver televisão, e desde que me conheço por gente eu a via na televisão. Lembro-me dela nos anos 70 nas tardes de domingo, na tela de tv em preto e branco ainda. Ela, assim como a televisão evoluíram nesses anos. O amadurecimento fez com que ela deixasse de lado o medo de parecer ridícula para tornar-se a dama mais  brega e mais chique do Brasil. Ela ria e chorava com a mesma facilidade. Ria para alegrar seu público e chorava quando apresentava ao público coisas tristes que aconteciam. Tanto seu sorriso quanto suas lágrimas eram verdadeiros. Não há ninguém que não gostasse dela, tanto da classe artística quanto do povo, que ela tratava tão bem.
A morte de Hebe será sentida por um longo tempo ainda todas as vezes que uma tv for ligada neste país. Mesmo quem não assistia seus programas tinha um carinho por ela, pelo que ela representava para os brasileiros. Recentemente assisti sua estreia na Rede TV e me emocionei, mas não como das vezes anteriores. Foi uma emoção diferente porque ela estava vivendo um momento diferente, enfrentando um mal terrível que acabou por vencê-la. Mas ela jamais se abateu porque ela jamais se entregaria. Era uma lutadora e uma vencedora. No alto de seus mais de 80 anos ela foi à Disney e fez uma tremenda festa, parecia uma criança, o que eu acho que ela nunca deixou de ser mesmo. 
A televisão brasileira está perdendo suas referências. Chico Anysio, agora a Hebe. A televisão brasileira está dormindo e perdendo a oportunidade de homenagear em vida os seus grandes nomes. Não que eles precisem desse afago, claro que não, pois são muito superiores a isso, mas acredito ser uma obrigação realizar um tributo, pelo muito que contribuem para a família brasileira. Hebe se foi e a lacuna ficou. Neste mundo só teve lugar para uma Hebe Camargo e não será jamais preenchido. Suas gargalhadas e seus selinhos jamais serão esquecidos.
Hoje choramos por quem nos fez rir muito e sempre que nos lembrarmos de Hebe Camargo um sorriso irá brotar em nossa face.
Adeus Hebe, fique com Deus "gracinha"! 

terça-feira, 28 de agosto de 2012

PARA LULA, MENSALÃO E SACI PERERÊ ESTÃO NO MESMO PATAMAR

O Saci Pererê é um personagem do imaginário popular e faz parte da mitologia brasileira ao lado da Cuca, do Boitatá, do Curupira, da Mula Sem Cabeça, entre outros. São figuras lendárias que permeiam as histórias infantis que vem sendo contadas geração após geração e mantidas no nosso folclore desde os primórdios da civilização brasileira.
Ao que parece, mais um integrante está se juntando a esses personagens imaginários para fazer parte do folclore nacional, segundo o ex presidente Lula, em declaração à imprensa americana.
Veja abaixo um trecho extraído do site exame.abril.com.br de 27/08/2012:   

"Brasília - O jornal americano "The New York Times" publicou hoje na edição impressa uma reportagem sobre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o título "Ex-presidente brasileiro volta à linha de frente". Na entrevista, o petista disse acreditar que "o mensalão nunca existiu" e argumentou que seu governo não precisaria comprar votos em troca de apoio porque possuía maioria parlamentar no Congresso. Ele concluiu o assunto espinhoso afirmando que respeitará a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o assunto: "Caso alguém seja culpado, deverá ser punido e se alguém for inocente, deverá ser absolvido".

Para Lula o mensalão não existiu, tal como os personagens mitológicos acima citados. Foi inventado para tumultuar e desestabilizar o governo do PT. Porém nos folclóricos Saci Pererê e em seus    companheiros de histórias só quem acredita são as crianças, já no mensalão, depois de tantas provas apresentadas, só quem não acredita é o Lula. Lembro-me bem que em 2005 o então presidente se dizia decepcionado com José Dirceu e a situação em que ele colocara o governo, tanto que o substiuiu por Dilma(blog do Noblat, memórias do mensalão).
Ora, se o mensalão não existiu, todo esse processo que se arrasta há 8 anos e e que agora toma toda a energia e atenção do STF não passaria de um grande circo, o que não seria aceitável para uma nação da grandeza do Brasil. De acordo com tudo o que foi apurado pela Polícia Federal, de todas as denúncias de parlamentares envolvidos no esquema e de todas as provas colhidas não há dúvida de que o esquema do mensalão não se trata de um Saci Pererê como quer que acreditemos o ex presidente Lula. Esses personagens do folclore nacional assustam as criancinhas e divertem os adultos, já os personagens do mensalão assustam a todos, crianças e adultos e devem ser banidos do mundo político e encarcerados em celas nada confortáveis, que é o verdadeiro lugar de bandido, o que eles são realmente. Se Lula acredita ou não no mensalão é um coisa de foro íntimo que jamais saberemos de verdade, o fato é que ele deve se sentir muito aliviado por ter sido blindado e ficado de fora de toda essa sujeirada, mas querer convencer-nos de que não existiu, aí é uma falta de respeito com a nossa inteligência.